domingo, 8 de outubro de 2017

A prova de vida terrestre mais antiga foi encontrada em rochas no Canadá

Crê-se que o planeta Terra tem organismos vivos praticamente desde a sua "infância". A prova pode estar numa formação rochosa no nordeste do Canadá, que tem quase 4 mil milhões de anos.

Drew Angerer/Getty Images

A região de Newfoundland and Labrador, no nordeste do Canadá, pode conter as provas de vida terrestre mais antigas de que há registonuma formação rochosa com quase 4 mil milhões de anos, indicando que a Terra, que se formou há 4538 milhões de anos, pode ter contido vida numa fase em que ainda atravessava a “infância” enquanto planeta. A descoberta foi feita por dois investigadores japoneses da Universidade de Tokyo e publicada na edição desta semana da revista Nature. As possíveis provas encontram-se em Saglek Block, no norte da província geológica de Nain, em rochas sedimentares com 3950 milhões de anos onde se encontram composições de grafite biogénico, ou seja, produzido por seres vivos, com isótopos de carbono, isto é, variantes do elemento químico. 
A mistura de ambos os elementos sugere que o local já era habitado por micróbios que desenvolviam as suas células através do dióxido de carbono presente no ar. A química é importante para compreender a descoberta dos investigadores japoneses. O carbono tem dois isótopos estáveis: carbono-12 e carbono-13. O primeiro é bastante comum, o segundo mais raro e mais “pesado” (contém mais massa isotópica). O carbono-12, por ser mais reativo, é mais fácil de transformar em moléculas essenciais à vida, pelo que os organismos vivos as concentram nas suas células. Após a morte das células os indícios da presença de carbono-12 no seu organismo permanecem. Aquilo com que os investigadores japoneses se deparam na formação rochosa de Saglek Block foi grafite enriquecido com carbono-12, o que significa que havia vida no local aquando da formação daquele grafite, há 3950 milhões de anos. A descoberta não apresenta, contudo, marcadores biológicos clarosde que houve vida naquele local, naquela altura. Em declarações ao El Mundo, Jesús Martínez-Frías, chefe do grupo de Investigação de Meteoritos e Geociências Planetárias do Conselho Superior de Investigações Ciêntificas, explica que marcadores geológicos “evidenciam a possibilidade de uma origem biológica” mas não dão “indicadores inequívocos da presença de vida”. Os marcadores biológicos, por contrário, estão relacionados “inequivocamente com a atividade metabólica de um organismo”. 

  Alguns investigadores levantam a possibilidade de, dada a idade das rochas, ser possível que o grafite se tenha formado mais tarde. Para além disso, existem processos que podem alterar as proporções de carbono-12 e carbono-13. Os autores do estudo, no entanto, afirmam que têm feito todos os possíveis para confirmar que o grafite está lá desde o início. Para um dos autores, Tsuyoshi Komiya, a grande dúvida é saber quando ao certo surgiram as primeiras formas de vida na Terra, dizendo ao El Mundo que “para isso é preciso demonstrar que a vida não existia antes dessa data”.

FECHO DOS OCEANOS ATLÂNTICO E PACÍFICO FARÁ NASCER NOVO SUPERCONTINENTE





Cenário está previsto, em novo estudo, para daqui a 300 milhões de anos
Cientistas em Portugal e na Austrália defendem, como cenário provável, a formação de um novo supercontinente, a que deram o nome Aurica, dentro de 300 milhões de anos, em resultado do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico.
O cenário, traçado com base em modelos computacionais, cálculos matemáticos, evidências e na história geológica da Terra, é sustentado pelos geólogos João Duarte e Filipe Rosas, do Instituto Dom Luiz e do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Wouter Schellart, da Universidade de Monash, na Austrália.
Os resultados do estudo foram publicados na edição digital da revista Geological Magazine.
Ciclicamente, ao longo da história da Terra, a cada 500 milhões de anos, os oceanos fecham-se e os continentes juntam-se, formando um supercontinente.
Há 200 milhões de anos, quando os dinossauros habitavam a Terra, todos os continentes estavam reunidos num supercontinente, a Pangeia, em que a América do Sul estava ligada à África.
No novo supercontinente, apresentado pelos três investigadores, o núcleo é formado pela Austrália e pela América, que estão ligadas, daí o nome Aurica atribuído ('Au' de Austrália e 'rica' de América).
A hipótese da formação de um supercontinente, a partir do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico, baseia-se na "evidência de que novas zonas de subducção se estão a propagar no Atlântico", refere a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em comunicado.
As zonas de subducção (locais onde uma placa tectónica mergulha sob a outra) são requisitos para os oceanos fecharem.
"Para fechar os oceanos, é necessário que as margens dos continentes se transformem em margens ativas, se formem novas zonas de subducção", esclareceu à Lusa o geólogo João Duarte.
O Pacífico, explicou, "está rodeado de zonas de subducção", nomeadamente próximo do Japão, do Alasca (EUA) e da região dos Andes (América do Sul).
As zonas de subducção "propagam-se de um oceano para o outro, do Pacífico para o Atlântico", sublinhou.
No Atlântico, já existem duas zonas de subducção totalmente desenvolvidas: o Arco da Escócia e o Arco das Pequenas Antilhas.
Uma nova zona de subducção poderá estar a formar-se ao largo da margem sudoeste ibérica, que apanha território português.
Segundo João Duarte, a chamada Falha de Marquês de Pombal, localizada ao largo do Cabo de São Vicente, no Algarve, e apontada como "uma das possíveis fontes do sismo de 1755", em Lisboa, está "a marcar o início dessa nova zona de subducção".
Hipóteses anteriores, de outros cientistas, sugerem a formação de um novo supercontinente a partir do fecho de um dos oceanos, do Atlântico ou do Pacífico.
O geólogo português, e investigador-principal no estudo, lembra que, no passado, dois oceanos tiveram de se fechar para dar origem a um supercontinente.
João Duarte advogou que manter o Pacífico ou o Atlântico aberto significa que um dos dois oceanos vai perdurar para lá da sua 'esperança de vida', cifrada em 200 a 300 milhões de anos.
"Isso é contraditório com a história, a geologia da Terra. Os oceanos não vivem mais do que 200 ou 300 milhões de anos", frisou.
O investigador acrescentou outro dado para sustentar a sua tese: a da fracturação da Euroásia (Europa e Ásia).
De acordo com João Duarte, o Oceano Índico "está a abrir" na Euroásia e existem novos riftes (fissuras da superfície terrestre causadas pelo afastamento e consequente abatimento de partes da crosta) que "estão a propagar-se para norte".
A cadeia montanhosa dos Himalaias, a Índia e o interior da Euroásia correspondem a "uma zona de rutura, onde as placas tectónicas vão partir-se num futuro", permitindo "partir ao meio" a Euroásia, cenário possível dentro de 20 milhões de anos, admitiu.
Para o cientista, a fratura da Euroásia irá possibilitar o fecho dos oceanos Atlântico e Pacífico.
João Duarte e restante equipa propõem-se, agora, testar "até à exaustão", com modelos computacionais mais avançados, o cenário "muito provável" que avançaram, o de um novo supercontinente chamado Aurica.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A culpa de não se conseguir bronzear é dos neandertais

Um novo estudo genético mostra que muitas das nossas características se devem aos nossos antepassados neandertais - entre elas, a facilidade de se bronzear ou até que horas fica acordado.


Passou o verão todo ao sol e não conseguiu ficar com a pele bronzeada. A cor do seu cabelo não lhe agrada. Já é de madrugada e, por muito que queira, não tem vontade de ir dormir. Se se identificou com alguma destas frases — ou com todas –, é provável que a culpa seja da sua ascendência neandertal.
Um estudo genético publicado na revista científica American Journal of Human Genetics revela que características como a cor da pele, a predisposição para a artrite e a propensão para ficar acordado até mais tarde provêm dos genes que os neandertais passaram aos humanos modernos através da procriação entre ambas as espécies.
Crê-se que a cor do cabelo, o humor, a propensão para fumar ou ter um distúrbio alimentar podem também estar relacionados com a procriação entre ambas as espécies.
Os neandertais chegaram à Eurásia milhares de anos antes dos humanos modernos. Estavam já bem adaptados aos níveis de luz solar mais baixos e variáveis, sendo portanto mais pálidos, quando o Homo sapiens chegou de África, onde estavam acostumados a um nível de luz solar mais intenso.
Janet Kelso, investigadora do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária, afirma que “a cor da pele e do cabelo, o ritmo circadiano [relógio biológico] e o humor são todos influenciados pela exposição à luz”, acrescentando que “a luz solar pode ter moldado o fenótipo[características que se podem observar num organismo ou população] dos neandertais”. A introdução desses genes no humano moderno, diz, “continua a contribuir para a variação nestes traços nos dias de hoje”.
As descobertas do estudo foram feitas após terem analisado e comparado ADN antigo com os dados genéticos e características de 112 mil britânicos inscritos no estudo da UK Biobank. Estima-se que os europeus devam 2,6% do seu ADN aos neandertais.
in http://observador.pt/

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carta geológica

Carta geológica é um mapa onde são encontradas informações geológicas. Numa carta geológica devem ser mostradas informações sobre o que está por baixo da superficie terrestre. Podemos, então, representar numa carta geológica o seguinte:

Tipo, idade relativa e localização das diferentes formações geológicas;
Tipo e localização do contacto entre os diferentes tipos de litologia;
Tipo e localização dos depósitos de superfície;
Direcção e inclinação das rochas estratificadas;
Tipo e localização de aspectos relacionados com a deformação das rochas;
Base topográfica que serve de apoio à cartografia geológica.


As cartas geológicas de hoje devem também representar:

A coluna estratigrafica que relacona as várias unidades em termos cronológicos, colocando em evidência o tipo de contacto e a eventual existência de descontinuidade entre elas
o(s) perfil(s) interpretativo(s) definido(s) segundo direcções que permitem uma melhor interpretação das principais estruturas geológicas existente em certa região.


Por isso, sabe-se que as cartas geológicas são uteis para:

A prospecção e exploração de recursos energéticos, minerais;
A prospecção e exploração de águas subterrâneas;
a selecção e caracterização de locais para a implantação de grandes obras de engenharia;
Estudos de caracterização e preservação do ambiente;
Estudos de previsão e de prevenção de fenómenos naturais, como, por exemplo, actividade sísmica e vulcânica;
Estudos científicos.